Obscuridade


05/03/2008


Socorro





Estou num estado tão próximo do céu,
tão alto, que sou capaz de ouví-lo.
Mas o céu não me ouve.
Dizem que há salvação e esperança,
dizem que há remédio para as doenças,
dizem que a morte não será eterna;
mas não permanecerei aqui,
esperando por essa tal redenção.
Minha vida está sendo gasta e perde o seu valor a cada pôr-do-sol!
Ouço falar que o amor é o que mais valioso existe,
vejo o que esse tal amor é capaz de fazer.
Mais como isso é possível: vejam o que acontece por aí?
Sou testemunha de quanto sangue o amor nos arranca,
de quanta dor nos causa,
de quanto sofrimento nos traz.
Mas permanecem afirmando que há esperança para mim!
São as lágrimas que não me deixam secar,
nesse vale de sal e podridão!
Dêem-me asas e assistam a minha ascenção...
E agora que minha vida terminando está,
preciso que saiba:
Imploro por tua ajuda...desesperadamente.

Escrito por P. Cerri às 14h49
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30/01/2008





Lá caminha o jovem rapaz negro,
metade cheio, metade vazio,
de sua própria essência,
por caminhos mal iluminados e totalmente solitários,
que se acham dentro e fora de si.
Lá caminha esse jovem rapaz negro,
de olhos negros,
de cabelos negros...
de alma azul.
Lá caminha aquele jovem rapaz negro.
Os seus olhos negros,
de tão vermelhos,
parecem chorar; porém, não há lágrimas.
Só o que há é a dor que esses últimos dias trouxeram,
para que se recorde das coisas que jamais se esqueceu.

Escrito por P. Cerri às 13h53
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20/10/2007


Olá



Sabe que você se sente vazio, sem sentimentos de amor ou de ódio adocicando ou salgando teu coração?
Então, estou nessa fase sem gosto.
O que tenho feito, com exagero devo confessar, é pensar, refletir...
Criei um novo blog( http://sadscaglio.zip.net ), onde escreverei não sobre o que sinto, mas, sim, sobre o que penso; lá, sou uma outra pessoa, tenho uma outra história...
Bem, creio que essa "hibernação sentimental" não seja eterna, por isso, assim que voltar a sentir, acho o caminho de volta à terra "Obscuridade"!

Escrito por P. Cerri às 17h44
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18/09/2007


Maria Regina ou Elis Rita?





De manhã cedo, essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. como essa santa não se esquece de pedir pelas
mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz, assim, feliz
De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois, parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.

Escrito por P. Cerri às 21h45
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Lúcia, menina moça.




Nasceu a Lúcia, para a alegria de seus pais e para a felicidade de todos!
Sim, tendo se completado o tempo necessário à vida, nasceu Lúcia.
Que belo dia!
Sua beleza já mostrava-se, dançando em sua pele branca, nos seus olhos doces e em seus movimentos suaves. Todos viam o quanto era ,e seria, bonita, mesmo sendo tão pequena, tão inocente.
E muitos já pensavam em como seria Lúcia, quando seu corpo se desenvolvesse, quando abadonasse as suas bonecas, quando sua voz meiga se firmasse...quando se tornasse uma mulher!
O tempo passou e Lúcia já não era um bebê; era uma mocinha e, desde menininha, mostrava-se vaidosa.
Gostava de maquiagem, cuidava de seus cabelos, pedia, aos pais, que lhe comprassem sapatos de salto- para o desespero de seu pai!
Tinha sonhos de ser modelo, como aquelas lindas mulheres que via desfilar na TV- para o delírio de sua mãe.
O tempo passou...
Já não era um bebê, já não era mocinha...
Num belo dia, melhor dizendo, numa bela noite, teve um pesadelo: sonhou com sangue.
Sonhou com muito sangue derramado pelo chão, gritos vindo de todas as partes e de lugar algum ao mesmo tempo...um inferno!
Ela sentia aquele sangue molhando-a, tingindo-a de vermelho.
Ainda dormindo, pensou
: "Será que o fim do mundo está chegando, como afirmou o padre na missa de domingo?! Meu Deus, estou perdida!"
De repente, Lúcia desperta de seus sonhos, com o coração descompassado, banhada em suor; vê que, em sua cama, há algo estranho, algo que não se lembrava de ver ali, antes de dormir...algo que parecia que acabava de ver em algum lugar...
"Meu Deus, o que é isso?!"

( Só o que o meu pudor permite-me dizer, Lúcia, é que não é o fim do mundo que chegou.)




Escrito por P. Cerri às 16h04
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15/09/2007


Eu quero que saibam que eu penso!




"O mundo quer inteligência nova, sensibilidade nova; o mundo tem sede de que se crie!
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro. O que aí está não pode durar. porque não é nada!"

(Trecho de "Ultimátum", de Álvaro Campos)

Vivemos numa sociedade vendida; vendida por pouco a quem pouco pode dar.
A Televisão, não abre suas portas à ícones dramatúrgicos, como Fernanda Montenegro, Glória Menezes, Eva Wilma...
A Indústria fonográfica não procura mais vozes e interpretações áureas, como Elis Regina, Maria Callas, Bethânia...
"Para quê eles quereriam esses baluartes?"- alguém me pergunta.
Eu, particularmente, penso que eles querem, mas poucas são as pessoas que continuariam a assistir à novelas, comprar os discos...
( Nem falo sobre Teatros, porque quase ninguém sabe o que seja; nem de autores, pois, muito menos, a turba lê!)
Por isso, nosso povo é tão maleável, tão moldáveis.
Por isso, a maioria acha que os "cantores" que, incessantemente, tocam nas rádios seja de qualidade boa...
Coitados deles!...mas pensando melhor, infelizmente, devo dizer: "Coitados de nós!"
Estou cansado de ver "peitos" e "bundas" cantando!
Estou farto de ver que as passarelas e as revistas masculinas servirem de "atalho" para oTeatro e a TV!
Meus ouvidos doém, meus olhos se escandalizam.
Onde estam aqueles que, realmente, se dedicam à Arte? 
O papel da Mídia é nos informar, nos entreter, nos mostrar o que está acontecendo no mundo...mas, pelo que vejo, os jornais, as revistas, a TV se esqueceram disso!
O que eu tenho a ver se, na festa da Sacha, filha de Xuxa, vai ter muito "funk"?
Em que me acrescentará a notícia de que a Gracyanne, namoradinha do "cantor" Belo, tem quase 1 litro de silicone nos seios?!
Eu mesmo respondo: nada!
Absolutamente!
Eu quero é que me digam quem são esses malditos políticos que absolveram o Presidente do Senado; quero , também, que mostrem-me que essa palhaçada , que se encontram aqueles jogadores do Coríntians com contas no exterior; quero, também, que estejam, nas capas dos jornais, esses cinquenta e tantos policiais que, trabalhavam para os chefes da prostituição...
Isso me interessa!
Isso é o que interessa, àquelas pessoas que pensam...que ousam pensar!
Como afirma, muitíssimo bem, Fernando Pessoa, o mundo quer inteligência e sensiblidade novas.



 

Escrito por P. Cerri às 19h53
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12/09/2007


Meu Deus, o que é isso?!




" Mandato de despejo aos moradorins do mundo: ' Fora, tu, reles, esnobe, plebeu; e fora, tu, imperialista das sucatas, charlatão da sinceridade; e fora, tu, da junta socialista e, tu, qualquer outro!
Ultimátum a todos eles e a todos que sejam como eles!
Todos!
Montes de tijolos com pretensões à casa; inútil luxo, megalomania triunfante.
E tu, Brasil, glória de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ultimátum, uma voz que confundis o 'humano' com o 'popular'...que confundis tudo!
Vós, anarquistas, deveras, sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores, para quererem deicar de trabalhar! Sim, todos vós que representais o mundo...
Homens altos, passai por baixo de meu desprezo.
Passai, aristocratas, de tão grande louro.
Passai, os frouxos; passai radicais!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa, descastar batatas simbólicas, fechem isso tudo com uma chave e deitem a chave fora!
Sufoco de ter, só isso, a minha volta! Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas. Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia, nenhuma corrente política que soe à uma idéia-grão.
O mundo quer inteligência nova, sensibilidade nova; o mundo tem sede de que se crie!
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro. O que aí está não pode durar. porque não é nada!
Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, a raça dos descobridores, desprezo o que seja menos do que descobrir um novo mundo!
Proclamo isso bem alto; braços erguidos; fitando o Atlântico e saltando abstratamente o Infinito!"


( Álvaro de Campos, 1917 )

Escrito por P. Cerri às 18h08
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Reflexão




" O que é o homem, se as principais ocupações de sua vida são comere dormir? Um animal, nada além!
Com certeza, Aquele que nos criou com tanta capacidade de discorrer sobre o que já passou e o que ainda vai acontecer não fez isso, para que deixássemos a nossa razão, essa qualidade digna de um deus, mofar por falta de uso!..."

( Hamlet, personagem de W. Shakespeare )

Escrito por P. Cerri às 17h54
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Possível mudança.






Eu sou tudo e nada, nesta encarnação.
Eu sou um misto de fé e de heresia; o casamento de um anjo com um demônio, no qual ambos estam entrelaçados pelo Amor e pelo Ódio.
Sou um errante.
Um alguém largado à própria sorte...alguém sem sorte!

O que é feito de minha vida?
- Não sei. Há muito tempo, não a vejo.

Se tenho sonhos ainda?
- Não, não caio nessa armadilha! Agora, forço-me a permanecer acordado, para que esses fantasmas não me assediem.

Onde está minha Felicidade?

( Uma pausa, durante a qual, vê-se uma lágrima rolar de seus olhos )

- Felicidade, Felicidade...Sinto saudades dela, não posso negar.

( Outra pausa )

- Contudo, ela se foi. E não penso que voltará para a minha vida!

Meu caminho é de trevas e de sombras: já não sei o que Luz...

Meu medo?
- Meu medo é de, um dia, me acostumar a essa tristeza e sensação de vazio instaladas em mim. Meu receio é que eu, daqui a pouco, pense que todas essas coisas sejam normais!

( De repente...)

-Que luz é essa que vem lá?!

Escrito por P. Cerri às 17h35
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04/09/2007


Teus olhos...o cantar serêiaco!




Teus olhos imagino de mil formas, iluminando-me em meio à escuridão que envolve minha existência sobre a Terra; são olhos negros como a mais negra das noites. Teus olhos doces vejo a me ver e estremeço, tamanha força que possuem. Sinto-me atraído por eles.
Uma atração que atordoa, me desnorteia...que faz com que me esqueça de mim.
Teus olhos fazem-me esquecer a dor e o pranto!
É como a loucura que se abate sobre o homem que ouve o cantar da Sereia: o chamado para a Morte. Sinto-me atraido por esse olhar.

"-Não, solte-me! Preciso atender a esse chamado!"
"-Amigo, use a razão:em nada isso adiantará, ouça-nos!"
"-Eu, mesmo que morra, morrerei feliz, pois o Amor, o maior dos sentimentos, me fez viver de verdade, depois de dezoito anos de morte!" 

Teus olhos vêm para desfazer as sombras que cercam-me desde a alma, com a luz do seu amor;teus olhos vêm para guiar-me nesse caminho escuro que é o Amor!
Já não temo ser feliz!



Escrito por P. Cerri às 21h19
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24/08/2007


Quando a gente ama...




" Era tanta saudade, é pra matar! Eu fiquei até doente, eu fiquei até doente, menina.
Se não matar a saudade, deixe estar: saudade mata a gente.
Saudade mata a gente, saudade mata a gente, menina!"

( Trecho de "Tanta saudade", de Djvan )

Quando ama-se...deseja-se, sonha-se, espera-se, quer-se.
Tudo ao nosso redor, torna-se mais motivante, mais bonito; e a tristeza nada mais é do que um demônio do passado.
Quando amo... desejo estar, sempre, ao lado de meu eleito, sentir o calor do seu corpo incendiar-me com aquele tal "fogo que arde sem se ver", nas horas frias.
Quando amo...sonho um sonho tão real, tão físico, tão arrebatador e forte, que, às vezes, tenho  a impressão de não tratar-se apenas de um sonho.
É quase palpável!
O amor faz-me sonhar uma espécie de sonho a dois...para um.
Esse amor, o genuíno amor, unifica!
Quando eu amo...eu espero. Sim, o amor, esse amor que conheço, torna-me paciente! 
Ensina-me a confiar em seu poder, em sua sabedoria, mesmo que tudo à minha volta pareça ruir-se; mesmo que os meus olhos enxerguem unicamente deserto e dor.
Nesta jornada terrena, ele ensina a Paciência.
Quando eu amo...eu quero, só quero.
Quero que esse sentimento extravaze.
Quero que esse sentimento divino-humano flua em/por mim, através de meus gestos, minhas ações e entre os meus poros .
Eu quero que esse amor seja manifestado a todos os homens, porque, assim, somente assim, entenderão que riqueza, fama, beleza externa em nada ascrescentam à alma; a única coisa imortal que possuimos.

Eu amei, desejei, sonhei, esperei e quis com todas as forças que dispunha em meu ser frágil. Nesse tempo, fui feliz...o mais bem-aventurado dos seres viventes.
Mas o meu ser amado foi-se...foi-se pra sempre desta vida, deixando aqui, nesse coração que insiste em bater, um vazio, uma tristeza, uma solidão jamais sonhados n'outrora. Hoje, sou metade de mim: estou metade cheio e metade vazio.
Preciso daquele calor novamente!
Necessito de voltar a viver!

 (Pedro Cerri )

Escrito por P. Cerri às 14h30
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07/08/2007


Uma espécie de Dom Quixote





" Diante de mim, havia duas estradas. Escolhi a menos percorrida...
e isso fez toda a diferença!"

( Robert Frost )

Sou um mero cavaleiro errante, nesta terra de pecados.
Sou um simples cavaleiro.
Outrora, um ser humano apaixonado, dedicado ao amor de minha vida; porém,
agora, não passo de um alguém semi-morto...ou semi-vivo, talvez?
Não importa!
Espectro de mim.
Sim, eu sou um cavaleiro.
Meu corcel chama-se "Tristeza"; minha armadura é fosca e embaçada.
Cavalgo pelos caminhos da Solidão.
Sou um estranho tipo de cavaleiro: não sonho com castelos, pois o meu,
com o qual realmente me importava,
a vida destruiu; não procuro por pricesas, porque a única pessoa
que merecia um reinado neste mundo já não respira o mesmo ar que eu; não corro
atrás de monstros...e, sinceramente, já não sei o por quê!
Desfiz-me de meu escudeiro, pois não desejo proteção.
Quero, agora que não tenho alguém para quem viver,
estar inteiramente nu, perante quem quer que seja.
Diante do meu mais cruel adversário.
Talvez, eu tenha a boa-ventura de ter uma flecha sanguinária, cravada em meu coração!
Fazendo com que meu coração perca todas as suas forças e deixe de bater...
libertando minh'alma desta prisão corpórea.
Minha esperança é que, assim que minh'alma ache-se livre, possa reencontrar-me
com o meu amor!
Razão de minha vida e morte!



Escrito por P. Cerri às 15h48
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05/08/2007


Diabólica





Quando penso que a sufoquei e que já não estou sob o poder de seu encanto, ela me surpreende.
Ela vem pelos cantos; pelas sombras.
Os ventos do inferno a trazem, com o intuito de possuir minh'alma,na morte.
E eu não conheço rituais ou amuletos que sejam capazes de detê-la ou fazê-la afastar-se de mim.
Sua voz sedutora e hipnótica não dirige-se ao meu corpo, mas, sim, a meu espírito.
Deseja o meu pobre e débil espírito...Eles, sempre, o desejaram.
Desde que nasci.

" Mestre, ajude-me!
Ajude-me a ser forte , a resistir e essa tentação. Quero permanece de pé, após a investida deste anjo demoníaco!
Para que eu viva sobre a Morte...e sob a Tua Vida!


Escrito por P. Cerri às 13h35
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29/07/2007


O estranho rapaz




Quando ele chegou,
O estranho rapaz,
seu olhar estrangeiro olhou para mim,
Eu nunca tinha ouvido a fala do amor, o frio o calor,
Eu logo entendi que quando o rapaz,
seu olhar estrangeiro olhou para mim,
Seu olhar estrangeiro falava uma língua que eu logo
entendi,
senti no meu corpo uma coisa tao louca,
Que eu nunca senti,
Ele olhava minha boca,
ele olhava meu corpo, ele olhava em meu seio,
olhava no meio, bem dentro de mim,
No princípio o perigo,
depois eu olhava eu olhava,
Não tinha receio,
Desejava queria no precipício,
abrir minhas asas desvendar o segredo,
Seu olhar penetrante,
invadia ofegante no meio de mim,
Rasgava o meu ventre o meu corpo inteiro,
me vendo por fora, me vendo por dentro,
do principio ao fim,
Depois me olhou, me olhou,
Me olhou de baixo para cima,
Em cima, embaixo, dentro de mim,
Me queimando, queimando,
O céu o inferno,
O paraíso é assim,
Onde passou tão pouco deixou,
Só um rastro de fogo queimando em silêncio,
O incêndio do amor.



Escrito por P. Cerri às 13h10
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25/07/2007


Amor eterno





Amaram-se perdidamente.
Desejavam-se de forma plena: cada parte de seus corpos era adorada; cada sussurro gravado em suas almas e cada gesto depertava-lhes os desejos mais íntimos.
Enfrentaram todos as dificuldades que a vida pôs em seu caminho, derrubaram todas as barreiras: não permitiriam, jamais, que nada os afastasse.
Nem ninguém!
Conheciam-se inteiramente.
De tal maneira, sentiam-se ligados que já não eram capazes de verem-se como duas pessoas distintas, mas, sim, como um sendo a metade do outro a quem amavam.
Dias alegres e horas tristes passaram por sua vida em comum , e mesmo os momentos mais angustiantes não tiveram força suficiente para abatê-los.
Seu amor era inabalável: disto, tinham segurança.
Haviam acabado de superar mais uma tempestadee experimentavam a doce brisa que segue-se à tempos de tormenta, quando de repente, sem aviso prévio, a Morte vem ao encontro de um deles e, impiedosa e friamente, arraca-lhe a vida.
Choro angustiado é o que ouve-se de um. Tristeza, como nunca antes, é o que sente o que ficou.
A Solidão torna-se sua sombra.
Ele não sabe mais quem é ao certo, e, mesmo que soubesse, jamais seria o mesmo.
Sente-se incompleto, vazio e perdido.
Ainda chora, quando o passado insiste em desfilar diante de si, trazendo-lhe à lembrança os dias em que verdadeiramente foi feliz.
Ah, o que ele não daria para que as coisas fossem diferentes!?
Como gostaria de ter novamente aquele a quem tanto amou e por quem tanto foi amado!
A vida é injusta.
Quantos casais há sobre a Terra que , na verdade, não se amam, mas que não se separam por interesses mesquinhos ou conveniência?
Porém , o Amor é tão poderoso que nem mesmo a Morte pode pará-lo.
Ele ainda o sente, ainda o vê.
Sim, nas roupas que agora cobrem seu corpo negro; nas canções que o outro entoava desafinado.
De vez em quando, surpreende-se conversando com ele e declarando o quanto ainda o ama...e esquece de que fala com alguém que se foi  pra longe...para nunca mais voltar.
Mas ele volta!
Quando o que ficou adormece, às vezes, vê-se ao lado de seu amor eterno, conversa com ele, riem-se juntos.
E, num destes encontros extraterrenos, amaram-se, como amavam-se na Terra: aquele amor ardente e apaixonado, tão conhecido por ambos, quando compartilhavam do mesmo leito.
Então, o que ficou acorda suado, com o coração acelerado e se pergunta, confuso, se seria possível tal possiblididade.
Mas, intimamente, ele nem quer saber a resposta, pois tem certeza de que esteve com sua metade desencarnada, aquela que não se acha mais presa e limitada pelas paredes físicas da matéria corpória.
Será que o Amor, o senhor sentimental, para reunir os dois amantes, espiritualizou o corpo do que ficou ou tornou o espírito do que se foi físico e palpável, para que continuem se amando?

Escrito por P. Cerri às 11h34
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