Obscuridade


25/07/2007


Amor eterno





Amaram-se perdidamente.
Desejavam-se de forma plena: cada parte de seus corpos era adorada; cada sussurro gravado em suas almas e cada gesto depertava-lhes os desejos mais íntimos.
Enfrentaram todos as dificuldades que a vida pôs em seu caminho, derrubaram todas as barreiras: não permitiriam, jamais, que nada os afastasse.
Nem ninguém!
Conheciam-se inteiramente.
De tal maneira, sentiam-se ligados que já não eram capazes de verem-se como duas pessoas distintas, mas, sim, como um sendo a metade do outro a quem amavam.
Dias alegres e horas tristes passaram por sua vida em comum , e mesmo os momentos mais angustiantes não tiveram força suficiente para abatê-los.
Seu amor era inabalável: disto, tinham segurança.
Haviam acabado de superar mais uma tempestadee experimentavam a doce brisa que segue-se à tempos de tormenta, quando de repente, sem aviso prévio, a Morte vem ao encontro de um deles e, impiedosa e friamente, arraca-lhe a vida.
Choro angustiado é o que ouve-se de um. Tristeza, como nunca antes, é o que sente o que ficou.
A Solidão torna-se sua sombra.
Ele não sabe mais quem é ao certo, e, mesmo que soubesse, jamais seria o mesmo.
Sente-se incompleto, vazio e perdido.
Ainda chora, quando o passado insiste em desfilar diante de si, trazendo-lhe à lembrança os dias em que verdadeiramente foi feliz.
Ah, o que ele não daria para que as coisas fossem diferentes!?
Como gostaria de ter novamente aquele a quem tanto amou e por quem tanto foi amado!
A vida é injusta.
Quantos casais há sobre a Terra que , na verdade, não se amam, mas que não se separam por interesses mesquinhos ou conveniência?
Porém , o Amor é tão poderoso que nem mesmo a Morte pode pará-lo.
Ele ainda o sente, ainda o vê.
Sim, nas roupas que agora cobrem seu corpo negro; nas canções que o outro entoava desafinado.
De vez em quando, surpreende-se conversando com ele e declarando o quanto ainda o ama...e esquece de que fala com alguém que se foi  pra longe...para nunca mais voltar.
Mas ele volta!
Quando o que ficou adormece, às vezes, vê-se ao lado de seu amor eterno, conversa com ele, riem-se juntos.
E, num destes encontros extraterrenos, amaram-se, como amavam-se na Terra: aquele amor ardente e apaixonado, tão conhecido por ambos, quando compartilhavam do mesmo leito.
Então, o que ficou acorda suado, com o coração acelerado e se pergunta, confuso, se seria possível tal possiblididade.
Mas, intimamente, ele nem quer saber a resposta, pois tem certeza de que esteve com sua metade desencarnada, aquela que não se acha mais presa e limitada pelas paredes físicas da matéria corpória.
Será que o Amor, o senhor sentimental, para reunir os dois amantes, espiritualizou o corpo do que ficou ou tornou o espírito do que se foi físico e palpável, para que continuem se amando?

Escrito por P. Cerri às 11h34
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23/07/2007


Prostrado aos teus pés




Estou prostrado aos teus pés.
Amo-te, pois és quem me sustenta, nesta caminhada longa de minh'alma.
Carregas meus sonhos e planos; conduzes-me por este mundo de sombras e luz.
Estou prostrado aos teus pés.
Desejo-te.
Desejo tê-lo sobre mim, percorrendo o meu corpo como se fosse uma estrada de carne e sangue destinada ao teu êxtase...ao nosso prazer.
Espero-te.
Venha sobre mim carinhosa e sensualmente, ateando brasas pelo meu corpo despido de pudor e roupas.
Teu corpo é minha vestimenta; meu corpo é tua estrada...teu sexo, minha fonte de prazer e glória!
Permita-me beijá-lo, com ósculo ardente, e ser, completamente teu.
Inteiramente.
Estou rendido aos teus pés... irremediavelmente prostado!

(Pedro Cerri)

Escrito por P. Cerri às 12h36
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Maria Rita- Muito Pouco

Muito Pouco

Maria Rita

Composição: moska

Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.


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Escrito por P. Cerri às 12h15
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22/07/2007


Revelação

   

 Eu gosto da imagem que o espelho reflete, quando ponho-me a mirá-lo.
 Eu gosto do que sai de mim, e, mesmo assim, permanece onde está.
 Eu gosto do entra no que sai de mim, e, mesmo assim, permanece onde está.
 Eu gosto do Sol, pois ele, somente ele, tem o poder de me deixar-me em brasa, quando levanta-se sobre nós.
 Eu gosto de ir atrás.
 Eu gosto de gosto de alguém, que, de uma certa forma, sou eu.
 Eu gosto de gostar do que gosto: me dá prazer, me desperta desejos.
 Eu gosto de gostar do que gosto.
 

Escrito por P. Cerri às 15h47
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