Obscuridade


18/09/2007


Maria Regina ou Elis Rita?





De manhã cedo, essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. como essa santa não se esquece de pedir pelas
mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz, assim, feliz
De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois, parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.

Escrito por P. Cerri às 21h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Lúcia, menina moça.




Nasceu a Lúcia, para a alegria de seus pais e para a felicidade de todos!
Sim, tendo se completado o tempo necessário à vida, nasceu Lúcia.
Que belo dia!
Sua beleza já mostrava-se, dançando em sua pele branca, nos seus olhos doces e em seus movimentos suaves. Todos viam o quanto era ,e seria, bonita, mesmo sendo tão pequena, tão inocente.
E muitos já pensavam em como seria Lúcia, quando seu corpo se desenvolvesse, quando abadonasse as suas bonecas, quando sua voz meiga se firmasse...quando se tornasse uma mulher!
O tempo passou e Lúcia já não era um bebê; era uma mocinha e, desde menininha, mostrava-se vaidosa.
Gostava de maquiagem, cuidava de seus cabelos, pedia, aos pais, que lhe comprassem sapatos de salto- para o desespero de seu pai!
Tinha sonhos de ser modelo, como aquelas lindas mulheres que via desfilar na TV- para o delírio de sua mãe.
O tempo passou...
Já não era um bebê, já não era mocinha...
Num belo dia, melhor dizendo, numa bela noite, teve um pesadelo: sonhou com sangue.
Sonhou com muito sangue derramado pelo chão, gritos vindo de todas as partes e de lugar algum ao mesmo tempo...um inferno!
Ela sentia aquele sangue molhando-a, tingindo-a de vermelho.
Ainda dormindo, pensou
: "Será que o fim do mundo está chegando, como afirmou o padre na missa de domingo?! Meu Deus, estou perdida!"
De repente, Lúcia desperta de seus sonhos, com o coração descompassado, banhada em suor; vê que, em sua cama, há algo estranho, algo que não se lembrava de ver ali, antes de dormir...algo que parecia que acabava de ver em algum lugar...
"Meu Deus, o que é isso?!"

( Só o que o meu pudor permite-me dizer, Lúcia, é que não é o fim do mundo que chegou.)




Escrito por P. Cerri às 16h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Homem, de 15 a 19 anos, Portuguese, Música, Livros
MSN - pathunder@hotmail.com

Histórico